Aprender é uma arte

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Faz anos que dou aulas. Comecei meio por acaso, mas foi amor à primeira vista: ao desespero de estar lá na frente com um monte de cabecinhas bem poucos anos mais jovens do que eu  me olhando cheias de curiosidade, à paúra de que o assunto acabasse muito antes do fim da aula, à insegurança de não saber responder alguma pergunta, se somou uma imensa paz, acompanhada de uma sincronia e de uma empatia que nunca tinha sentido antes. A matéria sobrava no final da aula, a galera permanecia muitas vezes após o sinal, as perguntas que eu não sabia responder eram debatidas pelo grupo, e muitas vezes a resposta estava na não resposta. Comecei dando aulas apenas uma noite por semana, claro que nas noites de sexta-feira, como todo professor iniciante ou ingressante. Mal podia esperar pela próxima sexta-feira para dar aula. E aprender mais.

O salário, que era bem maior do que nos dias de hoje, não era grande coisa. Reuniões intermináveis durante as férias debatendo os mesmos assuntos das reuniões passadas, chegando ás mesmas inconclusões que se sucediam interminavelmente.  Colegas sumindo nas limpas a cada final de semestre. Mas mesmo assim, o vício tinha me apanhado de jeito. Queria continuar aprendendo com a galera, crescendo, vendo e fazendo crescer. Coordenei a pós-graduação do Mackenzie, com mais de mil alunos. Coordenei cursos pelo Brasil. Fiz parte da estruturação de cursos até hoje muito importantes, como o de Moda da Anhembi Morumbi. Fiz parte da estruturação de grandes centros de excelência como o IBMEC. E, finalmente, veio a grande oportunidade: trabalhar na minha própria escola, o IBModa, e aplicar tudo aquilo que aprendi a fazer. E a não fazer também.

Começamos com cursos de MBA em Negócios da Moda, evoluímos para o online, fizemos grandes projetos de estruturação de polos produtivos de vestuário, dei inúmeras palestras, montamos cursos para outras universidades, com algumas fizemos parcerias, ao mesmo tempo em que fiz meu mestrado e doutorado. Eu, um dos piores alunos do curso fundamental e médio, virei professor. Acadêmico.

Opa! A palavra “acadêmico” cheira mofo para você? Para mim também! Parece aquelas pessoas que sempre se esconderam atrás dos livros, longe do mercado, e nunca puseram a mão na massa. Mas eu sempre fui do meio termo, e ao tempo que trabalhava punha em prática projetos e mais projetos. E assim, continuei aprendendo. Aprendendo a estudar, a ouvir mais do que falar, a procurar assuntos que despertassem interesse, a me emocionar com esses assuntos e, principalmente, a me relacionar. Ah, como aquela classe que me dava arrepios foi importante para mim! Eles eram  muito legais, mas não conseguiam parar quietos, especialmente uma “meia dúzia de 3 ou 4″, como dizia o professor Benevides, que sentava no fundão. Não aguentava aquilo e tomei a decisão: atravessei a classe e me sentei entre eles. Até hoje permaneço rodando o fundão das classes, rindo e aprendendo com os alunos.

Considero o Tow IN a cereja do bolo. Num momento em que ondas gigantescas aparecem à frente de quem busca empreender no mercado criativo, eis que surge o jet ski que facilita tudo: ajuda a localizar a onda, dá velocidade e posicionamento para que o surfista consiga surfar essas ondas com sucesso. Agradeço a chance de pilotar esse jet ski e continuar surfando no Mar do Aprendizado.

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